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Mostrando postagens de Novembro, 2007

UFSCar abre inscrições para vestibular exclusivo para a população indígena

Entre os dias 26 de novembro e 20 de dezembro, a UFSCar recebe inscrições para seu vestibular exclusivo voltado somente para candidatos das etnias indígenas do território brasileiro. Esta é a primeira vez que a Instituição realiza um vestibular dessa natureza, tornando-se a primeira universidade pública do Estado de São Paulo a promover um processo seletivo exclusivo para seleção de estudantes provenientes de comunidades indígenas.

Esta edição especial do Vestibular foi contemplada pela aprovação do Programa de Ações Afirmativas da UFSCar, que entre outras definições determina a criação de uma nova vaga em cada um dos cursos de graduação presenciais da Universidade, destinada à população indígena do Brasil. Ao todo, estão sendo oferecidas 37 vagas, distribuídas nos *campi* de São Carlos, Araras e Sorocaba.
Para participar deste processo seletivo, os candidatos devem ter cursado o Ensino Médio integralmente em escolas públicas e/ou nas escolas indígenas reconhecidas pela rede pública de …

III Fórum Permanente dos Povos Indígenas da Amazônia

Lideranças criticam falta de compromisso do Governo Lula com a efetivação dos direitos indígenas


O repúdio às ações do Governo Lula, que caracterizam “falta de compromisso com a efetivação dos direitos indígenas”, marcou o primeiro dia de discussões do III Fórum Permanente dos Povos Indígenas da Amazônia, realizado em Porto Velho-RO, de 28 a 30 de novembro, por iniciativa da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).



Ao avaliar a relação do governo com os povos indígenas, os líderes indígenas participantes do III Fórum, se manifestaram indignados contra a determinação do Governo Lula de implantar empreendimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como hidrelétricas, rodovias e hidrovias, sem consultar aqueles que serão empacados (quilombolas, populações ribeirinhas, povos indígenas, inclusive povos voluntariamente isolados); denunciaram o desrespeito à determinação da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) de discutir a miner…

Notícias dos Povos Indígenas

Jogos indígenas representam oportunidade para povos resgatarem raízes


Além da competição esportiva, os Jogos dos Povos Indígenas, cuja edição atual está sendo realizada em Olinda (PE), representa uma oportunidade de resgate das raízes culturais. A avaliação é do dirigente do Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena, Marcos Terena.

“Não se trata apenas de competições de índio contra índio. Por reunir várias etnias (44 nesta edição)], os Jogos são uma possibilidade de os povos observarem como os outros mantêm a cultura tradicional e buscarem fazer o mesmo”, explica Terena. “Muitos voltam para as aldeias com vontade de recuperar festas, cantos e os próprios esportes.”

Entre os índios que perderam costumes e tradições, está o povo Pataxó. Eles vivem em 25 aldeias na Bahia, em Minas Gerais e no Espírito Santo. Com a ajuda de antropólogos e lingüistas, encontros entre as aldeias buscam resgatar a tradição.

“Nas festas das aldeias vão os velhos, os professores, pesquisadores da pintura, …

'Única solução é baixar emissões', diz pesquisador

O fato de a Amazônia absorver grandes quantidades de carbono da atmosfera não pode ser usado pelo Brasil como argumento para não reduzir suas emissões, segundo o especialista Luiz Gylvan Meira Filho, do Instituto de Estudos Avançados da USP. A única solução real para as mudanças climáticas, disse, é diminuir a quantidade de gases do efeito estufa que é lançado na atmosfera, e não ficar pedindo crédito pelo que a natureza faz. Outros pesquisadores também ressaltam que quantificar o carbono absorvido pela Amazônia é importante para valorizar os serviços ambientais da floresta e reforçar medidas de conservação, mas não pode ser usado como desculpa para uma inação no combate às mudanças climáticas - OESP, 26/11, Vida, p.A13.

Dá para salvar a Amazônia?

"Desenvolver a Amazônia 'significa garantir proteção ambiental, condições de vida digna à população local e estímulo a uma economia que se nutra da existência da floresta e não de sua destruição', afirma o presidente Lula em artigo para a revista especial Grandes Reportagens - Amazônia. Não há como discordar do presidente. Mas sua afirmação não assegura uma resposta positiva aos que estão preocupados com o futuro da região. 'Soluções para a Amazônia têm de ser maiores que governos e mandatos, têm de ser assumidas pela sociedade brasileira e suas instituições, dentro de espaços inovadores de negociação, construção e implementação de decisões', diz o presidente Lula. De pleno acordo. Mas cabe ao governo impor a lei na Amazônia", editorial - OESP, 26/11, Notas e Informações, p.A3.

Educação Indígena: do Corpo, da Mente e do Espírito .

Um país multi-étnico
O Brasil é um país multi-étnico desde seu principio. Neste solo moravam muitas e diferentes culturas lá pelo XVI quando aqui aportaram os invasores trazendo ganância e cruz. Eram mais de mil povos, segundo alguns. Eram mais de cinco milhões de pessoas segundo uns e outros. Falavam-se algo em torno de 900 línguas diferentes.
Muitos dos povos que lá estavam aqui não estão mais. Foram devorados pela espada, pela ganância e pelo preconceito. Alguns povos se esconderam no meio da multidão que se formou pelo encontro, nem sempre amoroso, entre homens e mulheres de diferentes cores. Outros tantos fugiram para a floresta e guardaram enquanto puderam, sua memória e suas tradições.
Hoje, ainda há uma diversidade cultural e lingüística no Brasil. Ainda há 230 povos e 180 línguas teimando em manterem-se vivos para o desespero daqueles que querem depredar ou piratear a riqueza contida no solo e subsolo desta nossa pátria mãe gentil. São povos que querem sobreviver com dignidade p…

Réquiem a um parente chamado Jorge Terena

Biografias são compostas por pedaços das muitas vidas que vivemos durante nossa vida. Nunca somos um só, somos sempre uma pequena multidão que vive dentro da gente buscando formas de compreender nossa passagem por este mundo. Esta multidão age em diferentes direções e nos dão diferentes razões para viver.
Não importa muito em que condição social nascemos. Nascer índio ou não-índio é apenas um detalhe. Há muitos que querem ser índio por terem amor pela causa ou por entenderem que isso é uma benção divina. Acabam se transformando. Há os que, sendo índio, desejam não sê-lo por causa do estigma a que são vítimas desde que nascem. Estes, normalmente, não são muito felizes, pois negam o que são vivendo uma vida que não lhes pertence de fato.
Há alguns que, sendo índios, viveram outros caminhos, construíram outras histórias e, se quisessem, poderiam viver uma vida alheia à causa de seus parentes indígenas. Poderiam ser facilmente “capturados” pelo sistema econômico que promete sucesso aos que …

Entrevista para a Revista Psiquê

RP: Conte-me um pouco, por favor, sobre sua trajetória pessoal.

Sou um Munduruku nascido na cidade de Belém do Pará. Desde pequeno tive acesso à escola, mas ao mesmo tempo crescia aprendendo as coisas da aldeia, pois vivi ali ate meus 15 anos de idade quando decidi, em harmonia com minha família, seguir o caminho da escolarização. Para isso entrei no seminário salesiano decido a ser sacerdote católico. Vivi ali por seis anos até decidir que meu caminho era outro. Isso me deu a possibilidade de ingressar no mundo acadêmico no qual estou até hoje.

RP: O senhor une os dois aspectos: faz parte de um grupo indígena e é
habilitado em Psicologia. Que tipo de riqueza surge do intercâmbio de
uma sociedade indígena com a Psicologia?

Nunca imaginei que faria um curso superior qualquer que fosse. Venho de uma tradição que não tem a mínima preocupação em compreender a mente do outro, pois cada um já traz consigo o equilíbrio necessário para viver bem.
Quando ingressei na universidade pude compreender me…

ENTREVISTA PARA A REVISTA RAIZ.

1. Quando você começou a escrever livros? Em 1996 foi lançado meu primeiro livro com o nome Histórias de Índio pela Companhia das Letrinhas.
2. Como anda a situação da literatura indígena no país?
Avançou assustadoramente. Há hoje uma demanda muito grande por textos de autores indígenas. Esse boom nos pegou, inclusive, desprevenidos porque não temos autores suficientes para dar vazão a toda esta demanda.
Infelizmente alguns parentes indígenas ainda não conseguem visualizar a importância do papel da literatura para o desenvolvimento de nossa visão de mundo. Creio que isso ainda vá demorar um pouco. Neste sentido, criamos o núcleo de escritores e artistas indígenas. Nosso objetivo é formar um quadro de profissionais que possam responder com responsabilidade a este tipo de demanda social.
3. Quais são os grandes escritores indígenas na sua opinião. E como eles têm conseguido exercer essa função?
Há dois grupos de escritores indígenas: 1) os que estão criando uma literatura de ficção baseada …

Quais os limites da propriedade intelectual?

Por Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior
Em entrevista à Carta Maior, a pequisadora Carol Proner, autora de uma tese de doutorado sobre Propriedade Intelectual e Direitos Humanos, fala sobre o dever constitucional da função social da propriedade e o respeito aos direitos coletivos, hoje ameaçados pela pressão dos países ricos e seus conglomerados econômicos.O debate sobre a propriedade do conhecimento vem ganhando crescente importância nos fóruns internacionais, em especial nas rodadas de negociação da Organização Mundial do Comércio (OMC), onde o tema da propriedade intelectual industrial tornou-se alvo de acirrada disputa. Trata-se de um tema ainda relativamente desconhecido da maioria da população, embora diga respeito a vários aspectos do nosso cotidiano. Os medicamentos genéricos são, provavelmente, a ponta mais conhecida desse debate, constituindo hoje um sério ponto de divergências entre o seleto clube das nações mais ricas do mundo e o resto dos mortais.Em entrevista à Car…